Parem de generalizar!

"Toda generalização é perigosa, inclusive esta".
- Alexandre Dumas

Quantas vezes você já ouviu, ou até mesmo falou algo generalizando um grupo de pessoas? Uma cultura? Quantas vezes você já afirmou sem ao menos procurar saber mais a respeito, como um simples costume, a respeito de algo ou alguém?

Assim como eu já fiz, tenho certeza que pelo menos um de vocês já torceu o nariz ou falou mal de alguém, tratando-os como igual. Todo mundo já generalizou algum dia, concordando que todos são iguais e que se existe algum problema neste respectivo grupo de pessoas é graças a todas essas pessoas de caráter igual, de problemas iguais...

Mas nós não os conhecemos, não de verdade. Automaticamente, nós abraçamos o achismo e o desconhecimento e culpamos o problema dessa "sociedade tão igual", para que assim, quando surgir um problema sério, não temos culpa, pois todos os culpados são iguais e não há nada a se fazer.




Todos os muçulmanos são terroristas. Todos os políticos são corruptos. Todos os brasileiros são malandros e pobres. Toda loira é burra. Todo tatuado é ladrão. Todo gay é alegre. Todo mundo que usa óculos é inteligente. Todo evangélico odeia homossexuais. Homens são todos iguais. Esta nova geração está perdida. Todos que estão tristes são depressivos, assim como todos que esperam por algo que ainda não aconteceu, mas vai, é ansioso.

Todos generalizam e o tempo todo, sem ao menos entender os dois lados, sem procurar saber mais sobre a pessoa ou sobre o assunto e é tão automático para nós que passamos a acreditar em tudo isso e generalizar como se não fossem coisas importantes, como se pudéssemos usar a generalização como desculpa de nossos próprios erros.

Devemos parar de usar desculpas que afetam outros como defesas, devemos parar de tratar as pessoas a nossa volta como semelhantes, esquecendo-nos de suas - de nossas - próprias individualidades.

Discriminação seria mencionar uma diferença de forma negativa, separar, segregar um individuo dos demais por alguma razão específica, como a sexualidade, por exemplo. O conceito formal de generalização é o oposto, generalizar é desconsiderar essas diferenças...


Uma pesquisa foi feita pelo neurocientista americano Dean Buonomano diz que nosso cérebro não é tão moderno como acreditamos e que nosso comportamento, incluindo o preconceito, é herança da natureza primitiva do indivíduo. O cérebro humano precisa categorizar para funcionar, ele precisa classificar para referenciar padrões.


Como disse antes, generalizar é automático e, incluindo a mim, todos já generalizaram e infelizmente, já tiveram pré-conceito e preconceito com alguém ou algo, pois, de supetão, o diferente nos atinge, nos assusta, como sempre nos atingiu. É um fato de que generalizações são defesas inconscientes, resquícios do nosso primitivismo e, graças a isso, percebemos que nosso cérebro não é tão desenvolvido como acreditamos e como gostaríamos que seja.

Mas, mesmo com esta irritante e no mínimo ignorante herança de nossos ancestrais, devemos nos esforçar mais para combater nosso preconceito, pesquisar mais antes de julgar e parar de dar corda para o problema. Toda raça, gênero, classe social e etnia têm pessoas de pouco caráter sim, mas assim como têm de pouco caráter, têm de excelente caráter e nunca devemos julgar ninguém sem saber como cada individuo é e age.

O problema só irá parar quando pararmos de achar problemas em todas as pessoas. Então faça um esforço e pare de achar demais e pensar de menos. Não generalize!

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