Precisamos falar sobre o aborto

Quase como se fosse proibido de se falar, considero ser um dos assuntos mais polêmicos que existe. Falar sobre o aborto e sua legalização não deveria ser um tabu, mas, sempre que falamos sobre o assunto gera-se uma discussão.



Para aqueles que não sabem aborto ou interrupção da gravidez é a remoção ou expulsão prematura de um embrião ou feto do útero, resultando em sua morte ou sendo causada por esta, há dois tipos de aborto: o espontâneo - no qual pode ocorrer, não intencionalmente, durante a vigésima até vigésima segunda semana de gestação - ou induzido no qual ocorre por ingestão de medicamentos ou por soluções mecânicas.

De acordo com pesquisa do ibope em novembro de 2017, 68% da população é contra a legalização do aborto, pois afirmam que os participantes do aborto estão cometendo um crime, falando que o feto é uma vida.
Biologicamente falando, fala que, mesmo sem uma completa formação, já é uma vida, começando quando as informações do espermatozoide se reúnem com as informações do ovócito. A partir do momento que começa o primeiro estágio da reprodução a vida se inicia.

Mas vamos por partes...

A igreja, por exemplo, é contra o aborto, pois defende a vida em todas as suas etapas. Eles ensinam que a vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção; chamando aquelas que abortam de pecadoras.
Estão fazendo bem em defender a vida, em ensinar a respeitar e proteger... Mas o que acontece depois que o bebê nasce? Já pararam para pensar no depois?

E se as condições de saúde do bebê forem instáveis?  E se, como diversos casos desde o final de 2016 e 2017, eles nascerem com anencefalia ou microcefalia?
E se não forem boas as condições do lugar em que ele vai morar? E se eles nem tiverem lugar para morar?
E se os pais, ou apenas a mãe,  não tiver condições de cuidar dele?
E se os pais forem usuários de drogas e usar o bebê para ganhar dinheiro? Transformando-o em usuario tambem ou deixando-o doente por viver nesse meio?
E se for um parto de risco e for certeza de que ou a mãe ou o filho morrerão?
E se o filho for fruto de um estupro?
E se o pai não se importar com o filho?
E se os pais ainda são adolescentes?

A igreja defende a pré-vida, protege a vida do bebê desde o primeiro dia de gravidez, mas e depois, como ele vai ficar?



Já se foi utilizado os orfanatos, abrigos e reformatórios como argumentos... Certo de que não são todos, mas algum de vocês, sabe realmente como funciona algum desses lugares? É um clima triste, crianças que se sentem sozinhas, que já sofreram maus tratos, pais que ficam um final de semana com uma criança e se não gostam a devolvem como se não fossem nada... Não é como chiquititas, já ouvi depoimentos de pessoas que já passaram por orfanatos e não foram depoimentos divertidos e felizes.

Eu sou contra o aborto, mas sou a favor da legalização dele.

Há diversas clínicas clandestinas, gerando muito lucro em algo ilegal, fazendo com que a maioria de sua clientela seja rica. As mulheres pobres que visitam este tipo de clínica sofrem para conseguir o dinheiro para que se possa abortar nesses lugares, mas, geralmente, elas vão em clínicas mais depravadas. Situação sanitária de baixa qualidade - tanto o ambiente quanto os equipamentos médicos. As mulheres encontram-se em alto risco, podendo morrer durante o processo ou então, depois do procedimento, precisando de um urgente tratamento médico decente, inclusive de um psicólogo - o que elas nao têm, obviamente. Graças à proibição do aborto mulheres passam por esse tipo de situação senão por outros métodos cruéis como agressões na barriga, agulha de tricô perfurada na parte íntima, o uso de cabide e etc. Além da possível experimentação de medicamentos não confiáveis e chás.

Clínica clandestina de Porto seguro.

Mesma clínica. Atualmente está fechada.

Você que diz ser contra o aborto fervorozamente, procura estar em todas as discussões sobre o aborto, alegando ser um crime porque é contra a vida, mesmo depois de ter o conhecimento das consequências do aborto. Que diz ser a favor à vida, mas é o primeiro à comemorar a morte de uma mulher que tentou o aborto, sendo que as duas vidas são importantes... Saiba que o nome verdadeiro disso é hipocrisia e não pré-vida!

E falando em hipocrisia... Homens... Não adianta gritar mais alto do que as pessoas que sabem realmente do que estão falando, batendo o pé e afirmamdo veemente que abortar é crime, mas na hora que a suas mulheres engravidarem é o primeiro a procurar uma clínica para elas!

Devemos legalizar o aborto, mas não porque é bacana "matar bebês", devemos legalizar, porque a mulher que abortou (e sejamos francos, se uma mulher quer abortar, ela vai fazer de qualquer jeito!) merece condições decentes de saúde logo, merece um procedimento seguro, um médico bom, merece um psicólogo, pois imagino que passar por isso não deve ser nem um pouci fácil.
Mulheres devem ter seus direitos, pois assim como os homens, nós também estamos sob tutela do Estado que deveriam cuidar de toda a população, não importa o motivo!

Além das consequências de um aborto ilegal ditas anteriormente, devemos legalizar, também, pois, assim como foi comprovado em alguns países, assim que eles legalizaram, o aborto diminuiu consideravelmente. No Uruguai, por exemplo, de mil mulheres, doze decidiram abortar e 30% daquelas que solicitaram o aborto, desistiram e continuaram com sua gravidez.

Vamos falar mais sobre o aborto e sua legalização sem precisar brigar um com os outros, vamos pensar mais a respeito e espero que em um futuro próximo vamos legalizá-lo sem nenhuma restrição.

Vamos ser mais como Dercy Gonçalves que em 1994, que já comentou ter abortado, ou como a Hebe Camargo que em 1987, também admitiu ter recorrido ao procedimento. Em 1997, a revista Veja abordou o tema em matéria de capa e entrevistou, além de Dercy e Hebe, diversas outras celebridades como Marília Gabriela e Cissa Guimarães.

Aborto não é tabu e o que devemos fazer mesmo é ajudar as gestantes ao invés de apontar o dedo para elas!

Assista este vídeo caso queira saber mais a respeito.

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